Não é a toa que a maioria da população vê imposto como uma contribuição, ignorando o fato dela ser coercitiva. Nunca foi atoa. Existe todo um sistema desenhado para doutrinar cada geração que, eventualmente, vai acabar sustentando o próprio sistema . Esse sistema é o sistema de doutrinação estatal coercitivo monopolista educacional, ou como é conhecido no Brasil, sistema de educação.

Como todos já sabem, o MEC e diversas outras medidas governamentais voltadas para a educação só estão aí para atender às necessidades de quem as cria. Qualquer um que já tenha passado pelo sistema estudantil brasileiro eventualmente descobre. Tanto escolas públicas quanto as “privadas” estão a mercê das vontades do governo. As públicas diretamente e as privadas de forma menos direta.

E essa influência estatal é tão grande que muitas vezes ela nem precisa de lei. Um grande exemplo são os livros escolares que hoje apresentam uma visão indiscutivelmente de esquerda. Isso se deu porque o governo é o maior comprador de livros escolares no Brasil. E para o livro ser escolhido pelo governo ele têm que estar dentro de uma pauta que é ideológica. Então o governo se tornou a maior fonte de renda para as editoras. Assim o governo criou uma hegemonia política nos livros sem precisar passar uma lei sequer.

Essa situação calamitosa não deve a um lado específico que está ou já esteve no poder, esquerda, centro ou direita. Todas estas vertentes já utilizaram do poder estatal para fazer a cabeça de cada nova geração, principalmente e majoritariamente a esquerda.Os políticos atuais também não têm muito haver com isso. Estes são cúmplices e responsáveis por (entre várias outras coisas) expandir um sistema imoral que, para seu agrado, já estava previamente instalado.

Na verdade, muito previamente.

A ideia do estado controlar a mente de seus eleitores desde o berço , ou a ideia do estado controlar a educação veio a muito tempo atrás. Mais especificamente na Reforma Protestante com Martinho Lutero.

Em 1524, Martinho escreveu uma carta aos seus governantes exigindo um sistema público de educação que, segundo ele próprio, tinha o dever de ser coercitivo. Já que , na visão dele, somos obrigados a pagar impostos, prestar serviço militar, etc não seria nada de mais obrigar os pais a levarem seus filhos à escolas do governo sob pena de perder a guarda e multa. Mas o (não) sistema vigente na época estava muito bem. Descentralizado e adaptado para as necessidades de cada criança. Oras, então porque mudar ?

Simples. Os protestantes  visavam inculcar na população suas visões religiosas. Lutero queria enfraquecer , e até exterminar, qualquer outra religião e a forma mais efetiva de concretizar seu plano era se aliando ao estado. O poder estatal foi usado sem piedade aqueles que se recusaram fazer parte do sistema. Aos que nem opinião tinham, crianças, foi imposto , coercitivamente, um sistema de doutrinação em massa.

Mas porque o estado se aliou aos protestantes, assim abrindo mão a liberdade do seu povo?

Novamente, é muito simples.

Martinho Lutero pregava, não por coincidência, que a autoridade do estado jamais deve ser questionada. Como dito por ele mesmo em 1530 : “Era o dever de um cristão sofrer injustamente, e nenhuma violação de juramento ou de direito poderia privar o imperador de seu direito à obediência incondicional de seus súditos.”

Ou seja, o direito ilegítimo do imperador a obediência era superior aos direitos legítimos de vida e propriedade dos cristãos.

E é assim que nasce o sistema público de educação. Seu único intuito era de doutrinar,  assim mantendo a população sob controle. Muito além de somente privar as crianças de uma educação verdadeira, esse sistema inculca nos cidadãos ideias estatistas vendidas como irrefutáveis. É a partir daí que a autoridade do estado se torna irrefutável. Não era mais permitido questionar ordens.

Um tempo depois , é implantado esse sistema em grande escala na Prússia, a pioneira, e em diversos países no séc 17 e 18. Na verdade, o sistema educacional como conhecemos hoje nasceu na Prússia. Sua eficácia em manter a população sob controle e usá-la como massa de manobra foi tão grande que até inspirou até os mais liberais da época, Estados Unidos, à criarem seu sistema.

Assim, a individualidade ia morrendo. Aos poucos. Depois de um tempo os alunos iam se tornando todos iguais. A unidade era arrancada coercitivamente dos futuros cidadãos sem que os mesmos se dessem conta.

Há uma lenda grega que exemplifica muito bem a questão. A lenda do Procusto, usada pelo próprio Murray N. Rothbard para falar desse assunto.

“Procusto era um bandido que vivia na serra de Elêusis. Em sua casa, ele tinha uma cama de ferro, que tinha seu exato tamanho, para a qual convidava todos os viajantes a se deitarem. Se os hóspedes fossem demasiados altos, ele amputava o excesso de comprimento para ajustá-los à cama, e os que tinham pequena estatura eram esticados até atingirem o comprimento suficiente”

Nada mais claro que isso. Ele mesmo disse em seu livro Educação: livre e obrigatória:

“ Visto que cada pessoa é um indivíduo único, fica claro que o melhor tipo de instrução formal é aquele tipo que é adequado para sua própria individualidade. ”

Assim sugerindo um sistema privado. Não o falso privado que temos hoje, mas um privado de verdade. Um sistema que não é um sistema pois ninguém o planejara. Ele propõe que a educação volte a ser cuidada por aqueles que sabem como cuidar dela visando somente o interesse da criança: os pais.

E isso é a coisa mais urgente a ser feita. Além de imoral e antiético forçar todas as crianças em uma mesma forma, isso ainda impede um desenvolvimento completo da sociedade. Como já dito pelo George Harris:

“Cada passo do progresso significa a adição de um fator humano que é, de algum modo, é diferente de todos os outros fatores. O progresso da civilização, então … deve ser uma diversificação crescente dos indivíduos que compõem a sociedade… Deve haver articulação de cada nova invenção e arte, de novos conhecimentos, e de mais aplicação dos princípios morais.”

Precisamos de progresso humano e intelectual pela cooperação voluntária de indivíduos que buscam o próprio interesse. Não massas de manobra que não têm noção nenhuma do que acontece ao seu redor. Só vamos conseguir alcançar o progresso quanto liberarmos nossas crianças para serem criativas na área e como elas quiserem. Somente quando devolvermos a educação dos filhos a quem ela nunca deveria ter sido tirada, dos pais, teremos uma sociedade livre.


Mariana Ferrão Trujillo é aluna da Academia da Liberdade. Ela escreveu este artigo como parte do programa da Academia. Saiba mais e se inscreva: