[Nota do Editor: Este artigo foi gentilmente enviado por Italo Cunha. Se deseja enviar um artigo de sua autoria para nós, envie um e-mail para contato@libertarianismo.org]

Você precisa liberar o crédito, fazer a roda da economia girar e dar notícia boa”. É o conselho dado por Lula à Dilma, dando uma receita tão ilusória quanto a confiança no governo de sua sucessora. Ao “liberar o crédito” o governo estará incentivando a população a comprar com dinheiro que não tem, na expectativa de que o desemprego pare de subir e que no futuro essas pessoas possam pagar suas contas, assim como estimular investimentos em um mercado que já é inadimplente; mais absurdo é “dar notícia boa”, o ex-metalúrgico pede que sua sucessora invente, maquie e diga aos eleitores que está tudo bem, enquanto a casa arde em chamas.

Essa estratégia foi usada (e muito) pela presidente em seu primeiro mandato (uma abordagem mais aprofundada sobre este assunto foi feita por Leandro Roque), afinal, o que foram as pedaladas se não “dar notícias boas” a despeito do péssimo cenário fiscal? Além, é claro, de subir de classe milhões de pessoas apenas trocando a definição de renda adotada pelo governo?

Se por um lado a desconfiança nas intenções de qualquer político é prudente, por outro mostra-se trágica. O ideal final do político é a reeleição, ainda assim seria razoável esperar seriedade na forma como conduz seu mandato. Mas não no Brasil: responsabilidade é algo que falta em Brasília. A República das Nananas parece em 2015 ainda mais satírica, o caminho percorrido pelo governo é a falta de autocrítica usada como roteiro.

No final de 2015, o governo Dilma conseguiu algumas vitórias e parece estar tomando novo fôlego; Bom para o governo, péssimo para o Brasil. O novo plano econômico e político parece ser uma volta a irresponsabilidade. Depois de passar oito anos assentando sua popularidade e seu plano de governo em soluções ilusórias e artificiais, o governo do PT parece não ter vergonha de apresentar como solução a origem de todo o problema.

O novo Ministro da Fazenda é um desenvolvimentista claro e parece não ter percebido o atual estado econômico do país, indicando menos cortes na máquina estatal, apesar da sua suspeita defesa do controle das contas públicas, se levarmos em o ano de 2015, quando Nelson Barbosa não se furtou em fazer oposição a tentativa de ajuste de Levy, sempre defendendo um orçamento mais robusto e incentivando o déficit.

À luz dessas medidas e com as estratégias adotadas pelo governo percebemos que a tão pedida guinada à esquerda chegou (e sim, é possível guinar ainda mais), agora Dilma irá se aproximar dos parcos movimentos que a apoiaram e fizeram campanha para sua reeleição, usará de sua barulhenta militância para impressionar a opinião pública enquanto nos aprofundamos em mais 3 anos de paternalismo e subdesenvolvimento. Tudo pela manutenção do poder!

É um problema isolado? De forma alguma, a falta de seriedade se estende do Executivo ao Judiciário, este último em seu orçamento parece não conhecer o conceito de crise e não demonstra vontade em economizar ou apoiar uma possível (embora longínqua) austeridade. Já o Legislativo tem como presidentes Eduardo Cunha e Renan Calheiros, ambos sob investigação e trocando favores com o governo para se manterem em seus cargos.

Responsabilidade é um valor que o governo brasileiro precisa incorporar de forma urgente, para admitir os erros, lidar com a má administração e suas consequências, tanto estatais quanto pessoais e políticas. É preciso deixar de lado ideologias ineficientes e traçar um plano que possa realmente facilitar a recuperação econômica do brasileiro e assim o estado aprender que não há intervencionismo estatal na economia que não vá trazer consequências desastrosas a médio e longo prazo.

Amadurecer é vital para que paremos de assistir a um deputado, protagonista de escândalos com roupas intimas, e atual líder do Governo PT na câmara afirmando publicamente que “o Brasil precisa nesse momento de mais Estado e menos mercado”, isto em um país onde a economia encolherá mais de 2% e a inflação fechará na casa dos 9% em 2015. Seria cômico se não fosse trágico.