Há muitas discussões na internet, no que tange a definir aquilo que seria um “libertário de verdade”, muitos insistem em afirmar que pessoa x não é libertária por ser minarquista, ou por ser contra o aborto, ou por ser gradualista etc. Outros minarquistas preferem, simplesmente, negar o rótulo de libertário e se considerar apenas um liberal radical e anti-libertário (existe até uma página com esse nome, muita boa, por sinal!).
Com isso, vemos que existe uma confusão no que se refere às definições de liberalismo e de libertarianismo. No artigo de hoje, analisaremos todas as definições existentes e qual se encaixa mais no cenário político global.

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Comecemos, então, com o conceito de liberalismo:

O liberalismo como conhecemos hoje, em sua definição mais popular, surge durante o iluminismo. Podemos definir como marco histórico do surgimento do liberalismo, o ano de 1681, que é quando o filósofo britânico John Locke escreve os seus 2 tratados do governo civil, tratados estes que ajudaram a derrubar o absolutismo na Inglaterra. Seu segundo tratado expõe a ideia do Estado liberal e a defesa dos direitos e liberdades individuais, baseados em seu jusnaturalismo teológico e no contratualismo.

Podemos, então, estabelecer que o liberalismo (ao menos no sentido clássico) é uma ideologia pautada em 3 princípios: vida, liberdade e propriedade, e que representa a defesa das liberdades individuais frente à tirania estatal (o que não implica em abolição do Estado).
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John Locke e Adam Smith, os 2 maiores representantes do liberalismo clássico

Com o passar dos séculos, as ideias liberais começaram a ganhar uma maior adesão popular, se espalhando pela Europa e chegando até o Estados Unidos da América, o que influenciou os pais fundadores e inspirou a tão consagrada constituição americana de 1787. Do final do século XVIII até a primeira metade do século XIX, os

Estados Unidos foi um legítimo representante do liberalismo no mundo, chegando a ter os presidentes mais liberais da história, como George Washington, Thomas Jefferson, John Adams e James Madison.
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Porém, ainda nos EUA, o termo liberal acaba sofrendo uma mudança radical no século XX. “Roubado” pelo partido Democrata, o termo liberal passa a ser utilizado para se referir àqueles que defendem um forte investimento do Estado nos serviços básicos e programas sociais, os “direitos das minorias” e o combate a desigualdade social. Ou seja, o termo passa a ser usado pelos progressistas, sociais-democratas etc, se torna uma bandeira da esquerda. Pessoas como Franklin D. Roosevelt, John Kennedy e Harry Truman passam a ser os novos representantes do liberalismo.
O ex-presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt define o liberalismo da seguinte maneira:

id=MyfeAwAAQBAJ&pg=PR29&redir_esc=y#v=onepage&q&f=false”>“aquele que acredita que como novas condições e problemas surgem além do poder de homens e mulheres de lidar com eles como indivíduos, se torna dever do Governo de encontrar novos remédios para lidar com eles. O partido liberal insiste que o Governo tem o dever definido de usar todo o seu poder e recursos para enfrentar os novos problemas sociais com novos controles — para garantir que o cidadão comum tenha direito ao sua própria ‘vida, liberdade e busca da felicidade’ econômica e política.”

Algo completamente diferente daquilo que os liberais clássicos defendiam. E é aí que entra o termo libertário.

Surgido na esquerda(mais especificamente com o anarco-coletivista Joseph Déjacque), o termo libertário estava em completo desuso na América. Devido a isso, aqueles que antes eram os liberais, ou seja, os defensores das liberdades individuais e de um Estado limitado, agora passam a se denominar libertários. Com o desenvolvimento da teoria anarco-capitalista, pelo economista norte-americano Murray Rothbard, na década de 50, os mesmos passam a ser enquadrados no conceito de libertarianismo também. Então, o termo “libertário” passa a englobar tanto os minarquistas quanto os anarcocapitalistas.

Murray Rothbard

Com o passar do tempo, os anarco-capitalistas mais radicais passam a afirmar que os minarquistas não são libertários, pois eles supostamente não defenderiam a máxima liberdade por legitimarem o Estado e por muitos deles serem juspositivistas e utilitaristas (Mises é um exemplo), ou seja, negam a ética rothbardiana.

Porém, isso pode ser facilmente enquadrado como uma falácia do escocês, é basicamente distorcer uma definição e a história da mesma para poder excluir determinada pessoa de tal ideologia. Quando vamos analisar os maiores nomes do libertarianismo contemporâneo, percebemos que grande parte deles são minarquistas. Nisso eu incluo o Friedrich Hayek, o Robert Nozick, o Ludwig Von Mises e o ex-congressista Ron Paul. No caso do Nozick, o mesmo cria uma crítica libertária ao anarquismo. Então, fica mais do que claro que a ideia de que apenas anarcocapitalistas são libertários, além de radical, não condiz com a realidade e contradiz diretamente com os principais nomes que levantaram essa bandeira.

Quando vamos analisar o Libertarian Party(partido libertário dos Estados Unidos) e o Tea Party(ala libertária do partido republicano), percebemos que o meio libertário norte-americano é majoritariamente minarquista, e com isso temos nomes como: Ron Paul, Rand Paul, Austin Petersen, John McAfee etc.

Resultado de imagem para ron paulRon Paul

Ao analisar o resto do mundo, percebemos que tais definições não se limitam aos Estados Unidos. Países de língua inglesa no geral, também as adotam. Isso é perceptível no Canadá, onde o Liberal Party tem como sua principal figura o atual presidente Justin Trudeau, o ídolo da esquerda canadense.  Lembrando que as grandes mídias desses países(EUA, Canadá e Inglaterra) utilizam tais termos no sentido americano, e a mídia ocidental como um todo é um mero reflexo da mídia desses países, o que faz com que a mesma acabe adotando essas definições. Então, nada mais justo(e lógico) do que os minarquistas abandonarem de vez o termo liberal(que já foi usurpado e manchado pela esquerda) e continuarem abraçando o termo libertário, que representa justamente a defesa de um Estado limitado(ou inexistente no caso dos anarcocapitalistas) e das liberdades individuais, independente de ser jusnaturalista ou juspositivista, minarquista ou anarcocapitalista. Essas são as reais definições de libertário e liberal no mundo contemporâneo, e cabe a nós, libertários, nos desapegar de um termo que, infelizmente, já foi manchado pela esquerda.

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Liberal Party e Justin Trudeau, os símbolos da esquerda canadense

Para finalizar, deixo com vocês um excelente vídeo do ex-presidente norte-americano Ronald Reagan, onde o mesmo se define como libertário e explica o que realmente é o libertarianismo.