Os comentaristas esquerdistas parecem estar usando argumentos repetitivos contra o histórico de Thatcher. Isso consiste em repetir uma alegação, não importando quanta evidência exista em contrário, ou quantas vezes foi provada falsa. Allister Heath, editor do jornal de negócios City AM, tratou de algumas dessas afirmações, mas isso não impediu a brigada anti-Thatcher de as repetir. Aqui seguem dez alegações que eles fazem que não são apoiadas pelos fatos.

1. Ela destruiu a base manufatureira da Inglaterra

Não. A produção manufatureira foi 7.5% maior quando ela finalizou do que quando coemeçpu. Ela realmente declinou em proporção ao produto total da economia, mas somente porque outros setores, especialmente serviços e finanças, expandiram mais rapidamente por causa da mudança da economia. Isso aconteceu em outras economias avançadas mais ou menos na mesma época como parte de uma tendência geral. É verdade que as três principais indústrias, a construção naval, aço e carvão, realmente entraram em decadência por terem se provado incapazes de competir com outros países nessas áreas. No entanto, outras indústrias, tais como a manufatura de alta tecnologia, expandiram.

2. Ela anulou o poder dos sindicatos protegerem os trabalhadores

Suas reformas fortaleceram os membros dos sindicatos ao invés dos líderes dos sindicatos. Governos anteriores do Partido Conservador e do Partido do Trabalho tinham tentado e falharam em colocar os sindicatos sob o controle da lei. O número de greves na Inglaterra (por sinal, recorde mundial), um dos piores na Europa, não ajudou os trabalhadores. As reformas thatcheristas deram aos membros dos sindicatos o direito de eleger seus líderes através de um voto secreto por correspondência, além do direito de ser escolhido antes de uma ação grevista possível. Essas medidas resultaram numa liderança sindical mais moderada e amplamente reduziu a agitação industrial.

3. Ela reduziu a alíquota do imposto de renda de forma que os ricos pagassem menos

Ela realmente mudou a alíquota do imposto de renda, mas os ricos não somente pagaram mais, mas também foram responsáveis por pagar uma fração maior do total arrecadado. Seus governos regularmente baixaram a alíquota superior de 83% (ou 98% sobre a renda de investimentos) para 40%, e cortaram a alíquota básica para 25%. As alíquotas menores aumentaram a arrecadação mais do que as maiores tinha logrado, dado que os negócios prosperaram e a base tributada aumentou. Os 10% do topo que vinham pagando 35% da renda total de impostos viram-na subir até 48% (de um pouco acima de 1/3 para poucos menos de ½).

4. Ela transformou indústrias estatais vitais em monopólios privados

Errado. O programa de privatização transformou indústrias estatais em dificuldades em empresas privadas competitivas e lucrativas. Seu governo tomou cuidado ao privatizar para introduzir o maior nível de competição que pudesse. A empresa British Petroleum enfrentava um concorrente chamado Mercury, com revisões periódicas que permitiam a entrada de mais competidores. A maioria das empresas de serviços públicos foi exposta à competição a nível mundial assim como nacional. Um elemento-chave foi separar a infraestrutura da oferta, de forma que produtores diferentes competissem para enviar seus produtos por meio de canos ou cabos aos consumidores. Onde isso não era prático, os fornecedores tinham de dar um lance para ganhar uma franquia por um período pequeno de tempo. Monopólios estatais com prejuízos foram substituídos por companhias privadas competitivas e lucrativas.

5. Ela destruiu a indústria carbonífera da Inglaterra

A indústria carbonífera britânica tinha estado em declínio por décadas. Muito mais minas foram fechadas sob os mandatos de Harold Wilson (Partido do Trabalho) do que sob os de Margaret Thatcher (Partido Conservador). Uma razão foi o aumento do preço do petróleo e, além disso, a existência do gás e da energia nuclear como alternativas mais limpas de energia. Outra foi o declínio da indústria pesada que dependia do carvão. O aquecimento doméstico afastou-se do carvão, e o gás do Mar do Norte substituiu o gás produzido por ele. Ademais, havia também o menor custo do carvão vindo do exterior. Todos esses aspectos no fim das contas condenaram as minas de carvão subsidiadas e sempre em prejuízo, e a greve de um ano dos mineradores ajudaram a reforçar a procura por alternativas.

6. Ela não cortou impostos

Críticos apontam para um leve aumento da arrecadação do governo no decorrer dos 11 anos de seu governo como prova que os seus cortes de impostos foram ilusórios. Aconteceram aumentos no início do seu governo, especialmente do Imposto sobre o Valor Agregado (VAT, em inglês), mas no decorrer do mesmo, ocorreram grandes cortes no imposto de renda e imposto sobre lucros corporativos que geraram crescimento econômico substancial. Após lidar nos primeiros anos com a bagunça financeira e a inflação, herança de governos anteriores, o governo tomou menos do PIB. O Dia Livre de Impostos, que marca o dia do ano quando as pessoas “terminam” de pagar tributos ao governo, por 10 anos veio antes ou permaneceu o mesmo.

7. Ela diminiu as regulamentações, o que levou à crise atual

Como Philip Booth da IEA (Instituto de Assuntos Econômicos, em português) destaca:

“Os anos 80 não foram um período de desregulamentação financeira. Insider Trading (negociações com informações privilegiadas) tornou-se ilegal em 1980. A indústria do seguro de vida, que tinha estado quase livre de regulação por mais de 100 anos contando de 1870, foi “re-regulada” no período de 1980 até 1982. O seguro sobre depósitos bancários foi introduzido em 1979. A venda de produtos de investimentos e seguros tornou-se sujeito a regulamentações estatutárias a partir de 1986. Além disso, a regulação pioneira sobre o capital dos bancos ingleses ocorreu sob Basileia I (primeira reunião dos Bancos Centrais do mundo), acordado enquanto Thatcher era Primeira-Ministra”.

O ‘Big Bang’ realmente permitiu que mais tipos de empresas negociassem instrumentos financeiros, mas essencialmente substituiu a regulação privada pela responsabilidade (contabilidade) pública.

8. Ela cometeu um crime de guerra por afundar o Belgrano

A Inglaterra estava em situação de guerra devido à tomada ilegal das Ilhas Falklands pela Argentina. A área do Sul do Atlântico era uma zona de guerra na qual as hostilidades estavam acontecendo. A zona de exclusão de 200 milhas não impediu que a luta ocorresse dentro de seus limites. Era um aviso para que navios neutros não entrassem. O cruzador argentino Belgrano não era um navio neutro e estava em curso de zig-zag, apresentando-se como uma ameaça à força-tarefa inglesa, e foi afundado como um ato de guerra, um ato que os comandantes argentinos aceitaram como legítimo.

9. O seu governo foi profundamente impopular e dividido

Ela conduziu os Conservadores à vitória em três eleições consecutivas, todas com maioria substancial. Ela não obteve mais do que 50% dos votos, o que nenhum partido conseguiu desde a II Guerra Mundial, mas ela efetivamente ganhou com uma grande diferença em 1979, mais do que Tony Blair obteve em 1997, e mais ainda nas suas duas vitórias subsequentes em comparação a dele. Os governos thatcherianos afastaram o consenso pós-guerra que tinha vigorado ao longo do declínio britânico para um caso de desgraça econômica, e então dividiu opiniões. Ainda mais, os socialistas esperavam que sua ideologia poderia um dia reinar, mas os governos de Margaret Thatcher terminaram com tal esperança dentro da Inglaterra e ajudaram a extinguir tal chama ao redor do mundo. A esquerda não pode perdoar seus governos por retirar tal chance de instalar o sonho socialista na ilha.

10. Seus cortes prejudicaram os serviços públicos

Na verdade, os gastos públicos aumentaram 17.6% no decorrer dos seus mandatos. Houve cortes para aumentos propostos, mas os gastos relativos aos serviços fundamentais aumentaram. Com o crescimento da economia no período Thatcher, a porção total do Estado no PIB diminuiu como proporção do total. Declinou de 45.1% quando ela entrou para 39.4% quando ela saiu. Ela aumentou os gastos com saúde, educação e assistência social, mas menos do que o crescimento da economia privada.

// Traduzido por Matheus Pacini. Revisado por Adriel Santana. | Artigo original.